Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Até a barraca abana!

À primeira vista pode parecer tratar-se de um post sobre os «famosos» Malucos do Riso, mas deixem-me, então, que esclareça este equívoco! Venho falar de um outro «barraca abana»: Barack Hussein Obama!
Alguém uma vez disse «Todos somos chamados, pelo menos uma vez, a desempenhar um papel que nos supera. É nesse momento que justificamos o resto da vida, perdida no desempenho de pequenos papéis indignos do que somos»...
Muitos acreditam que Barack Obama - o 44º Presidente dos EUA - virá marcar um ponto de viragem não só para os americanos, mas igualmente com consequências a nível mundial. Será mesmo? Será que Barack Obama, um dos mais poderosos homens do mundo, senão o mais poderoso, irá mesmo mudar a faceta de «polícia auto-proclamada» dos EUA a que temos assistido nos últimos anos? Ou será apenas fogo de vista?
Mandou encerrar Gantanamo: facto; querer promover uma nova política de emissão de gases: facto... Será para valer? dúvida!
Talvez este Presidente venha a desempenhar um papel que o supera; talvez ele nos venha fazer ver que devemos procurar papéis dignos do que somos, ou tornarmo-nos dignos dos papéis que nos foram conferidos!
Desenganem-se aqueles que pensam que Obama vai resolver todos os problemas! Por mais boa vontade que tenha, essa sim é uma missão impossível. No entanto, podemos retirar uma lição destes seus primeiros dias de mandato: é sempre possível tomar a decisão correcta!...

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Muda de vida, se tu não vives satisfeito!

É triste, e ainda mais triste me sinto por ter chegado ao ponto em que o admito em voz alta (menos preocupante seria se o mantivesse encarcerado no fundo do meu pensamento). Mas a verdade é que tenho notado em mim um crescente sentimento de fuga: vontade de fugir deste país!
Tenho de reconhecer que a única coisa que ainda me faz querer ficar são as pessoas que realmente amo e essas conto-as pelos dedos das mãos (quem sabe se de uma mão só - mas isso são outras conversas...).
Mal comecei a aperceber-me melhor do mundo da política, logo me desiludi: construímos TGV's que nunca hão-se funcionar porque não temos comprimento de linha suficiente; oferecemos Magalhães que, passada a procissão dos Ministros e séquito de televisões, são retirados às crianças; Presidentes de Camâra que apesar de condenados são reeleitos para os cargos; Regiões Autónomas que pensam que são Estados Federados... O rol continua e os cidadãos dizem que a culpa é do Governo, do Estado, da oposição e de quem mais houver para servir de bode espiatório.
Culpam os outros, mas (e desculpem-me a expressão!) são incapazes de levantar a «bunda» da cadeira e ir fazer pela vida: claro que não!, é muito mais confortável estar em casa a ver o Goucha e a receber o subsídio de desemprego.
«Empreendedorismo?! Que é isso? Eu cá não gosto dessas mariquices!» O português vive para o próximo biscate, o próximo esquema, aldrabice ou trapassa... Somos incapazes de olhar e pensar grande, pensar a longo prazo e investir em novos projectos. Aqueles portugueses que ainda mantêm essa visão alargada, acabam de uma maneira ou outra por fugir: Fátima Lopes tem lojas em Paris, Saramago vive no país vizinho, músicos mais reconhecidos no estrangeiro do que em Portugal...
Sonho com um Portugal onde não há necessidade de vedações de propriedade privada porque todos temos a consciência de que aquele espaço é de todos e que se estragarmos somos efectivamente proíbidos de frequentar qualquer espaço semelhante. Tenho esperança num país em que se paga mais impostos, mas que o Serviço Nacional de Saúde responde impecavelmente e a Educação oferecida é formadora de cidadãos competentes e qualificados. Quem me dera um país em que os próprios munícipes dissessem «não precisamos de um estádio de futebol tão grande; não vamos assim tanto ver jogos» (e, quem sabe, ainda dissessem para investir em Centros de Saúde, escolas, etc).
Todo um conjunto de «se's» que nunca passará disso mesmo: um grande e suspirado SE...

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Imortais

Hoje venho deixar um post dirigido a pais e filhos, maridos e mulheres, namorados e namoradas, em suma, uma reflexão para todos aqueles que amamos.
Um pouco na senda da nova rubrica do Blueberry Pancakes, uma música da Mafalda Veiga empurrou-me a vir aqui escrever: Imortais

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Às vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por vezes a vida parece nos roubar o chão debaixo dos pés, «vir, ver e vencer», sem sequer se «importar o que nos faz sentir»; quantas vezes já sentimos, numa fracção de segundo, tudo mudar? Talvez constantemente!...
Mas há algo que é imortal, algo que «Se nos olhamos tão fundo de frente» vem ao de cima: amor! Aquela ligação, aquele laço que nos aquece numa noite fria; aquela luz que enche os lugares ausentes da nossa alma. E este sentimento é mais do que qualquer um de nós sabe dizer: palavras são escassas para o demonstrarmos!
Nem podia ser de outra forma! Como traduziríamos este «não saberia não te ter»? Por palavras? Por gestos? Por olhares? Por tudo e nada: de todas estas formas juntas e nenhuma delas somente.
Eu digo: porque eu quero-te tanto! Quero-te tanto pai, mãe, irmão, irmã, quero-te tanto família... E é muito mais do que eu vos sei dizer!
Faço um apelo a todas as famílias, a todas as pessoas: digam que amam façam-no por gestos, por olhares, por escutar, por simplesmente estarem lá! Porque «quando a vida nos agarre assim/ nos troque planos sem sequer pedir», Eu sei que ainda somos muito mais, Mil vezes mais do que eu te sei dizer!

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Na Terra dos Sonhos

Há dias em que as nossas palavras não chegam, dias em que pedimos "emprestadas" palavras de outro alguém. Foi assim, que decidi iniciar uma nova rubrica, na qual partilho convosco, meus companheiros de panquecas, poemas de outros companheiros que cantam as palavras da alma. Porque há dias em que tenho tanto para dizer e contar e nada me parece mais acertado do que os versos de uma melodia. Deixo-vos Jorge Palma...


Na terra dos sonhos Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas faces estudadas do senhor Doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar

Andava eu sozinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Ai! Mas esqueci-me de dar-lhe também um pouco de atenção
E a minha solidão voltou, não me largou a mão um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o mundo inteiro á tua altura
Tens de olhar p´ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar
E se ás duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanço, está ao teu alcançe tens de o encontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar

Jorge Palma - Na Terra dos Sonhos

Domingo, Setembro 14, 2008

Saudade e Fado português

Somos a única língua que tem no seu dialecto a expressão «saudade»... Um sentimento muito maior e mais intenso que o «I miss you» ou «Tu me manquez beaucoup» (Sinto a tua falta) dos britânicos ou franceses.
É devido a este saudosismo - intrinsecamente ligado ao fado - que não raras vezes somos conotados como um povo lúgubre e abatido. No entanto, permitam-me que discorde neste ponto. Saudade não é sinónimo de sombrio, muito pelo contrário!
Saudades daquele Verão, saudades dos maninhos, saudades do pequeno-almoço juntos no jardim, saudades das invenções da Noélia, saudades do mar, saudades de casa... Tudo isto nada tem de triste! Tem sim uma aura de conforto, felicidade e aconchego. Relembrar aqueles momentos em que se riu até às lágrimas, em que o sorriso era grande demais para a nossa cara.
Ter saudade no corpo e na alma não é nada que envergonhe; é uma herança dos nossos antepassados, que se lançaram «por mares nunca dantes navegados» - e vejam os feitos que alcançaram!
Ser português é isto mesmo! É ter saudade, é relembrar o passado com o peito cheio de orgulho. desenganem-se as más línguas de que o português é a personificação de um sebastianista parado no tempo. Ser português é ser saudoso dos tempos áureos e com esses exemplos ir mais além.
O que o moderno cidadão luso precisa é um pouco desta saudade boa para ser corajoso (porque ideias já as temos) e arriscar em projectos que nos lançarão de novo na senda das descobertas.

Terça-feira, Agosto 05, 2008

O gang do palito!

Poucos podem saber a que se refere a expressão «gang do palito», mas hoje, ao folhear velhas fotografias num álbum já esquecido numa prateleira, lembrei deles...
Já pouco ou nada (talvez só memórias) restem do gang: caminhos diferentes, distâncias, desentendimentos, opções distintas... levaram à sua "dissolução". No entanto, apesar de desfeito, há algo que sobrevive e foram as mesmas fotografias que me reavivaram a memória e me fizeram perceber disso.
O gang do palito existiu e nada o pode apagar! Aquelas fotografias na Serra da Estrela - os 11 -, alinhados a fazer pose - os 3 -, eu a choramingar - os 2... Tudo isto existiu e faz parte da minha/nossa vida.
Nenhuma fotografia mostra um momento de tristeza: são os momentos de felicidade que são eternizados. São estes momentos que permanecerão na nossa memória, vivos em imagens, em videos.
São estes momentos que nunca devem ser esquecidos, pois são eles que fizeram de mim quem sou!
Apesar de só restarem lembranças, de muito ter mudado desde então: sou quem sou graças a eles e hoje digo:
Para sempre, gang do palito...

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

...cortaram o meu pé de laranja lima.

Não permitam que as crianças deixem de sonhar!
Zézé, em O meu pé de laranja lima, era um rapazito pobre, mas que no meio da sua pobreza soube construir um castelo de sonhos... Ele soube sonhar, soube esconder(-se d)a realidade: as surras que levava por tudo e por nada (mais por nada do que por tudo). E soube encontrar ternura e abrigo no seu reino de fantasia.
Já dizia o poeta: porque o melhor do mundo são as crianças! E nunca tanto como hoje eu senti isso. São as crianças que conservam a pureza num mundo cinzento de adultos (adultos, estes, que deixaram de saber sonhar).
Criança ri sem falsidade, dá abraços sinceros. São elas que mantêm viva a esperança!
Por favor, não deixem que as crianças parem de sonhar! Não deixem que se apague o brilho do seu olhar, não deixem que cresçam para um mundo onde não existe ternura - triste é aquele que já não sabe sonhar...
Por favor... «PORQUE CONTAM AS COISAS ÀS CRIANCINHAS?»