segunda-feira, julho 07, 2008

Quando for grande, eu...

Uma vez que já alcancei aquela incontornável "mile stone" na vida de uma pessoa, começa a ser-me permitido entrar numa nova realidade: o mundo dos crescidos - diriam as crianças, a altura de grandes responsabilidades e da independência, diriam outros...
A verdade é que começo a tomar consciência do que realmente é a vida (e todos os obstáculos e "saltos de fé" que isso implica). Começo a aperceber-me de que ser adulto não é só poder sair à noite, ter carro, trabalhar - tal como costumava fantasiar em pequena. Não, ser adulto é algo mais, algo com muito mais "sumo"!
Descobri que os adultos (essa espécie talvez em vias de extinção) são seres extremamente cultos, com um mundo extraordinário, do qual outros seres da mesma espécie se podem alimentar. Têm nas suas mãos tantas possibilidades de explorar novos "habitats"... Só não é culturalmente nómada quem não o quiser!
Ao mesmo tempo que chegam as responsabilidades, também chegam as oportunidades de dar o salto em frente e passar para o nível seguinte. Aos centímetros que crescem os nossos ossos, poder-se-á acrescentar, não centímetros, mas sim quilómetros ao nosso conhecimento. Essa é uma das delicias de ser adulto.
Quando era pequena sonhava ser uma daquelas pessoas com um curriculum surpreendente, que sabia tanto sobre tanta coisa... Porque não dar o grito do Ipiranga e fazer do sonho realidade?

quarta-feira, maio 28, 2008

Ainda há esperança...

Talvez por ter feito as coisas parecerem simples...
Talvez por ter falado dos assuntos com paixão...
Talvez por mostrar orgulho naquilo que ajudou a criar...
Talvez por ainda acreditar...

... hoje Mário Soares devolveu-me a crença de que Direito ainda é justiça, ainda é lutar por tornar o mundo um lugar melhor!

Obrigada professor!

terça-feira, março 25, 2008

Um fa(c)to ó(p)timo?

Mas anda tudo louco? Os neurónios passaram por uma fase de hibernação? É que isto não tem ponta por onde se lhe pegue!
Não me considero uma reivindicadora muito activa ou uma partidária ferrenha, mas se houve coisa que fez borbulhar os meus genes contestatários foi o famoso Acordo Ortográfico - recentemente assinado.
Mas quem, no seu perfeito juízo, pode ratificar tamanha calamidade?! Desculpem, mas não consigo entender como puderam permitir que se desvirtuasse tanto a nossa língua portuguesa...
Bem vistas as coisas é o renegar da História! É o afogar de séculos de viagens, descobertas, conquistas, glórias... É degradar a nação que deu novos mundos ao mundo!
Queixamo-nos que daqui a pouco seremos mais espanhóis que portugueses; mas este acordo ortográfico não fará algo ainda pior? Transforma-nos em algo sem género, indefinido, uma ténue semelhança com o Brasil... Portugal: a província de Espanha que fala brasileiro!
Nunca os grandes autores da literatura portuguesa se agitaram tanto nos túmulos, nunca os livros pareceram sumir, encolhendo-se de vergonha nas estantes... O que fizeram os nossos políticos com as suas politiquices de fait-divers?! O que fizeram eles à nossa língua?
Que tristeza ver o português perder aquilo que o caracteriza! É roubar-lhe as origens, retirar-lhe a alma, despersonalizá-lo, adulterá-lo... Dou-te razão, Pessoa: é ver Portugal a entristecer...

sábado, outubro 27, 2007

Somos pessoas apenas por sermos pessoas

Quando começava a perder a esperança de que haveria alguém que pensasse que o mundo seria um lugar bem melhor se houvesse menos hipocrisia, eis que encontrei «uma luz ao fundo do túnel»!
Fui desencantá-lo no lugar onde o zé-povinho diz que se formam os hipócritas e mentirosos: a Faculdade de Direito (uma pequena salvaguarda: não que eu acredite que assim seja, mas enfim...). Eduardo Vera-Cruz é o seu nome; para além de outras funções, é o regente da cadeira de Direito Romano.
Cedo fiquei a gostar deste professor pelo seu diálogo simples e pela empatia que cria com os alunos. Mas a minha admiração cresceu, quando nos mostrou aquilo que era para ele o Direito.
«É fundamental ter a capacidade de dizer não às injustiças». Naquele momento, qualquer coisa dentro de mim se inflamou. Aquele professor acredita que é necessário parar com as desigualdades, pois a vida, como hoje a concebemos, não passa de um mero conviver com as injustiças. Sim, aquele professor catedrático, presidente do Conselho Directivo, personalidade influente no meio jurídico. Sim, também aquele homem acreditava nisso - e não somente uma simples caloira como eu!
Segundo as suas palavras (desculpe professor por ter tomado notícia do que disse...), o curso de Direito dá potencialidades para tudo; nós depois é que escolhemos o caminho a seguir. E isto não se aplica somente a um curso universitário, mas a toda a nossa vida: são postas à nossa disposição os instrumentos, cada um de nós em seguida opta sobre o que quer fazer com eles.
O bem e o mal somos nós que, na nossa liberdade, o praticamos, não é algo inerente nas coisas.
Nunca antes tinha feito referência tão explícita a uma pessoa no meu blog, mas alguém que diga «nós somos pessoas com dignidade e direitos, apenas por existirmos» de certeza que merece tal referência...

sábado, outubro 20, 2007

Raios te partam Darwin!

É importante começar por frisar que não tenho nada contra o grande naturalista que foi Charles Darwin, nem contra a sua mais celebre obra «A Origem das Espécies pela Selecção Natural». Pode-se dizer que é a interpretação que as pessoas fazem de selecção natural que me causa formigueiro.

Sobrevivência do mais forte!

Ora aqui está o cerne da questão! Generalizou-se, na nossa sociedade, que para se sobreviver temos de ser mais fortes que o nosso parceiro. No entanto, este ser "mais forte" vem conotado com o célebre passar por cima de quem se atravessar no nosso caminho sem olhar a meios (nem a fins...).

A lei da selva, vulgo lei da sociedade, manda que para sobreviver sejamos hipócritas, que chutemos para canto os sentimentos dos outros e que coloquemos o nosso proveito em cima de um pedestal luminoso, bem polido. «Magoei o não-sei-quantos? Problema dele!», «Achas que fui sacaninha? É a vidinha, meu amigo!».

Não pensem que estou aqui a defender que sejamos uns totós, que passemos a actuar tendo apenas por objectivo os interesses alheios. Não! Não sou ingénua a esse ponto. Mas haverá mesmo necessidade de, para vingar na vida, sermos uns verdadeiros canalhas?

Não seria possível encontrar um meio termo entre o nosso próprio proveito e o bem-estar do outro? Uma pitada mais de sensibilidade: seria pedir muito?
Por vezes, penso que se Darwin não tivesse escrito que os mais fortes é que sobrevivem, não teríamos chegado a este ponto.