domingo, setembro 14, 2008

Saudade e Fado português

Somos a única língua que tem no seu dialecto a expressão «saudade»... Um sentimento muito maior e mais intenso que o «I miss you» ou «Tu me manquez beaucoup» (Sinto a tua falta) dos britânicos ou franceses.
É devido a este saudosismo - intrinsecamente ligado ao fado - que não raras vezes somos conotados como um povo lúgubre e abatido. No entanto, permitam-me que discorde neste ponto. Saudade não é sinónimo de sombrio, muito pelo contrário!
Saudades daquele Verão, saudades dos maninhos, saudades do pequeno-almoço juntos no jardim, saudades das invenções da Noélia, saudades do mar, saudades de casa... Tudo isto nada tem de triste! Tem sim uma aura de conforto, felicidade e aconchego. Relembrar aqueles momentos em que se riu até às lágrimas, em que o sorriso era grande demais para a nossa cara.
Ter saudade no corpo e na alma não é nada que envergonhe; é uma herança dos nossos antepassados, que se lançaram «por mares nunca dantes navegados» - e vejam os feitos que alcançaram!
Ser português é isto mesmo! É ter saudade, é relembrar o passado com o peito cheio de orgulho. desenganem-se as más línguas de que o português é a personificação de um sebastianista parado no tempo. Ser português é ser saudoso dos tempos áureos e com esses exemplos ir mais além.
O que o moderno cidadão luso precisa é um pouco desta saudade boa para ser corajoso (porque ideias já as temos) e arriscar em projectos que nos lançarão de novo na senda das descobertas.

terça-feira, agosto 05, 2008

O gang do palito!

Poucos podem saber a que se refere a expressão «gang do palito», mas hoje, ao folhear velhas fotografias num álbum já esquecido numa prateleira, lembrei deles...
Já pouco ou nada (talvez só memórias) restem do gang: caminhos diferentes, distâncias, desentendimentos, opções distintas... levaram à sua "dissolução". No entanto, apesar de desfeito, há algo que sobrevive e foram as mesmas fotografias que me reavivaram a memória e me fizeram perceber disso.
O gang do palito existiu e nada o pode apagar! Aquelas fotografias na Serra da Estrela - os 11 -, alinhados a fazer pose - os 3 -, eu a choramingar - os 2... Tudo isto existiu e faz parte da minha/nossa vida.
Nenhuma fotografia mostra um momento de tristeza: são os momentos de felicidade que são eternizados. São estes momentos que permanecerão na nossa memória, vivos em imagens, em videos.
São estes momentos que nunca devem ser esquecidos, pois são eles que fizeram de mim quem sou!
Apesar de só restarem lembranças, de muito ter mudado desde então: sou quem sou graças a eles e hoje digo:
Para sempre, gang do palito...

sexta-feira, agosto 01, 2008

...cortaram o meu pé de laranja lima.

Não permitam que as crianças deixem de sonhar!
Zézé, em O meu pé de laranja lima, era um rapazito pobre, mas que no meio da sua pobreza soube construir um castelo de sonhos... Ele soube sonhar, soube esconder(-se d)a realidade: as surras que levava por tudo e por nada (mais por nada do que por tudo). E soube encontrar ternura e abrigo no seu reino de fantasia.
Já dizia o poeta: porque o melhor do mundo são as crianças! E nunca tanto como hoje eu senti isso. São as crianças que conservam a pureza num mundo cinzento de adultos (adultos, estes, que deixaram de saber sonhar).
Criança ri sem falsidade, dá abraços sinceros. São elas que mantêm viva a esperança!
Por favor, não deixem que as crianças parem de sonhar! Não deixem que se apague o brilho do seu olhar, não deixem que cresçam para um mundo onde não existe ternura - triste é aquele que já não sabe sonhar...
Por favor... «PORQUE CONTAM AS COISAS ÀS CRIANCINHAS?»

segunda-feira, julho 07, 2008

Quando for grande, eu...

Uma vez que já alcancei aquela incontornável "mile stone" na vida de uma pessoa, começa a ser-me permitido entrar numa nova realidade: o mundo dos crescidos - diriam as crianças, a altura de grandes responsabilidades e da independência, diriam outros...
A verdade é que começo a tomar consciência do que realmente é a vida (e todos os obstáculos e "saltos de fé" que isso implica). Começo a aperceber-me de que ser adulto não é só poder sair à noite, ter carro, trabalhar - tal como costumava fantasiar em pequena. Não, ser adulto é algo mais, algo com muito mais "sumo"!
Descobri que os adultos (essa espécie talvez em vias de extinção) são seres extremamente cultos, com um mundo extraordinário, do qual outros seres da mesma espécie se podem alimentar. Têm nas suas mãos tantas possibilidades de explorar novos "habitats"... Só não é culturalmente nómada quem não o quiser!
Ao mesmo tempo que chegam as responsabilidades, também chegam as oportunidades de dar o salto em frente e passar para o nível seguinte. Aos centímetros que crescem os nossos ossos, poder-se-á acrescentar, não centímetros, mas sim quilómetros ao nosso conhecimento. Essa é uma das delicias de ser adulto.
Quando era pequena sonhava ser uma daquelas pessoas com um curriculum surpreendente, que sabia tanto sobre tanta coisa... Porque não dar o grito do Ipiranga e fazer do sonho realidade?

quarta-feira, maio 28, 2008

Ainda há esperança...

Talvez por ter feito as coisas parecerem simples...
Talvez por ter falado dos assuntos com paixão...
Talvez por mostrar orgulho naquilo que ajudou a criar...
Talvez por ainda acreditar...

... hoje Mário Soares devolveu-me a crença de que Direito ainda é justiça, ainda é lutar por tornar o mundo um lugar melhor!

Obrigada professor!